Há que botá-los
Deu em caminhar pola única via. As augas iam contra ele, como as correntes do mundo que tiram por nós. Mais adiante havia um cruze de caminhos. As augas caiam do lado esquerdo. Seguindo recto as correntes acalmavam-se. A inclinação fazia que pola direita a auga caísse toda. A dificuldade para ir pola esquerda era manifesta, todo costa arriba e contracorrente. Se seguia recto, mais seguro. Pola direita, mais fácil: a riada levava-o quase sem querer.
Semelhava que tivesse chovido sempre. Sempre. Mas esta chuva tinha algo estranho, algo que não acavava de calhar. Sentia-se sujo e incómodo, como se alguém mejar por ele... Um homem estava a olhar o caminho, procurando que a gente fosse pola costa abaixo. "Parece que chove!". "Seica, seica".
Tomou a decisão final. Os caminhos podiam levar ao mesmo sítio, podiam conduzir a lugares e tempos distintos, mas estava claro que o caminho importava. Importava, porque era umha declaração de intenções, ideais, princípios... Ir costa arriba sem saber quando rematará de cair a chúvia. Continuar recto sem se preocupar polo caminho. Deixar-se levar polas correntes aparentemente mais fáceis...
Já sabia o que ia fazer. Para que a chuva deixasse de cair. Para que mais nunca dixessem que chove quando mejam por nós. Para que saísse o sol num ceu escuro e gris. Escolheu o seu caminho. Para acadar finalmente que esses montes de nuvens marchassem. Para botá-los. Há que botá-los.










